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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

10 | Da minha estante... O Menino de Cabul.


M*

26.01.15

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 O Menino de Cabul é uma viagem inesquecível sobre a amizade, a lealdade e o perdão. Um livro marcante, numa escrita sensível e tocante.

 

Khaled Hosseini convida-nos a conhecer a cidade de Cabul e a sociedade afegã, através de Amir, o narrador e protagonista, antes da invasão soviética, dos talibãs e dos rockets. Numa viagem pela infância e adolescência de Amir, reflectimos sobre aquilo que hoje é o Afeganistão, um país que deixou de existir, as consequências devastadoras das políticas e sucessivas guerras que o país atravessou. 

 

Amir e Hassam, duas crianças unidas pela mesma ama de leite, cujas vidas se distanciam. Amir é o filho de um respeitado e sábio mercador de Cabul, frequenta a escola, lê livros e escreve histórias; Hassam é filho do criado da casa, analfabeto, quem prepara o pequeno-almoço de Amir e lhe trata da roupa da escola. Hassam nutre por Amir um sentimento de enorme lealdade, incapaz de mentir e sempre pronto a encobrir todas as diabruras de Amir. Hassam é corajoso e dono de um coração generoso. Amir, por sua vez é, numa primeira análise, considerado um menino mimado, egoísta e cobarde, que reivindica para si a atenção e se aproveita da amizade e lealdade de Hassam. O destino de ambos manter-se-à unido até a tragédia e a atitude cobarde de Amir ditar rumos de vida distintos. Amir muda-se com o pai para os EUA, num momento de mudança no Afeganistão, Hassam permanece. Porém e quando julgava que o passado estava enterrado em Cabul, o destino de Amir mostra-lhe o caminho da reconciliação e rendição com um passado que tanto o atormenta. 

 

Khaled Hosseini não é uma novidade para mim; tal como no primeiro livro que li, Mil Sóis Resplandecentes (opinião aqui), o autor possui o dom de prender o leitor, da primeira à última palavra, e de incentivar a conhecer a história do Afeganistão - em Mil Sóis Resplandecentes a componente sociopolítica afegã é, para mim, mais aprofundada, conciliando-o com as narrativas das personagens. Ler as palavras deste escritor afegão é, na verdade, uma leitura vibrante, extrema e cativante, que despertar inúmeros sentimentos. Cada livro é inesquecível e poderoso.

 

O Menino de Cabul tornou-se num dos meus livros favoritos, uma leitura recomendável e marcante, uma ode à liberdade, amizade e perdão. Khaled Hosseini um autor a acompanhar, um dos meus favoritos, onde descobrimos o melhor e o pior do mundo afegão - faltando-me ler E As Montanhas Ecoaram.

 

Por fim, refira-se que, em 2007, O Menino de Cabul, foi adaptado a filme.

 

(mais informações sobre o livro em Editorial Presença)

(frases do livro em Dos Meus Livros)

Para os amantes da leitura,


M*

24.01.15

que certamente compreenderam e se identificaram com o vídeo,

 

 

Verdade, não é?

Quando for grande,


M*

22.01.15

(não que eu vá ultrapassar o 1.66) quero ser assim, 

 

The Curvy Fashionista

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Girl With Curves

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São mulheres de peso. Aliás, somos. Também eu, como elas, sofro daquilo que todos apelidam de excesso de peso. Um peso que parece incomodar mais os outros do que a mim mesma. Não vou usar termos como gorda ou magra e, sobretudo evitar, a expressão excesso de peso ou peso inferior. As primeiras porque, sinceramente, são tão relativas - o que para mim é alguém magro, não significa o mesmo que para outra pessoa (tenho uma amiga que, todas as que ultrapassem o valor de 55kg são consideradas gordas e dos 80 para cima obesas, embora, na visão dela e com os meus 90, era uma gordinha sexy) -, já as segundas, as expressões, fazem-me alguma irritação. Não existe excesso de peso ou peso inferior, mas pessoas... independentemente do valor da balança, somos pessoas, tais como aquelas que se apelidam com peso normal.

 

Desde os dez anos que vivo com o estigma do peso. Nessa época, após duas cirurgias - no curto espaço de um ano e meio - comecei a engordar. Até então e, como dizem, era uma criança magra com graves dificuldades em comer (segundo o meu pai, apanhei muito para comer). Coincidiu, igualmente, com a puberdade e as mudanças de cidade e de escola. Se, a tudo isto, apimentarmos com nervos, um longo período proibida de praticar desporto (depois da segunda cirurgia, vi-me obrigada a assistir às aulas de educação física no banco) e mais algumas coisas, como detestar a professora de educação física (eu e quase toda a turma) e voilá... 

 

Durante muitos anos, o peso foi um verdadeiro tormento para mim. Cheguei a deixar de comer e a provocar o vomito com o intuito de perder peso mais rapidamente. Nunca consegui levar as dietas a que me propus até ao fim porque, mais do que força de vontade, é necessário que quem nos rodeia nos apoie e, sempre me faltaram esses apoios. Sempre tive problemas comigo, com o meu peso, com o que era. E, quando certa vez alguém me disse que não valia a pena emagrecer porque tinha uma cara feia e cheia de borbulhas, nem tão pouco arranjaria um namorado... facilmente me acomodei ao que era. Ditas numa altura de vulnerabilidade, marcaram-me durante anos e anos.

 

Costumo dizer que o peso incomoda mais os outros do que a mim mesma. A verdade é que o meu peso não me chateia, não me incomoda, até alguém o mencionar. Os outros que dizem estás mais gordinha (fingir simpatia) ou emagreceste! que bom! estás de dieta?, não devias comer isso porque estás gorda ou tu não devias usar esse vestido porque não te fica bem. Certa vez discuti com o meu ex-namorado porque, insistentemente me dizia se emagreceres vais ficar mais bonita ou tens uma cara não é de uma pessoa gorda, blablabla, ao qual lhe respondi que, não estando satisfeito, poderia arranjar outra ao seu agrado. 

 

Embora entenda os motivos dele e dos outros, a verdade é que questões de peso parecem incomodar mais os demais. Se não implicam porque é gorda, implicasse porque é extremamente magra (e, apesar de não o ser, entendo-o). Noutra ocasião, uma mãe criticava fortemente a filha, uma miúda magra, por comer uma miniatura de bolacha, dizendo-lhe que ia ficar gorda e feia... como se ser todas as feias fossem gordas, como se ser gorda fosse o pior crime do mundo, a pior sentença de um destino.

 

Desde que, independentemente dos números da balança e seja qual for a situação, não afecte a saúde e impeça de aproveitar o dia a dia... porque, efectivamente, existem casos demasiado graves para tapar os olhos.

 

Aprendi a aceitar-me assim e, desde que terminei a minha relação, trabalho dia após dia para me a amar como sou. Controlo o meu peso para evitar que me afecte a saúde, insisto em gostar de mim e a tentar fugir à velha frase do precisas de emagrecer... e se depois não gostar? Sobretudo, em conseguir ir à praia sem sentir que meio mundo me observa tão somente pelo peso... Se é tarefa fácil? Não é! É, provavelmente, o trabalho mais difícil. Hoje sinto-me bem comigo mas, amanhã, do nada ou por uma simples frase, e o amor próprio que alcancei destrói-se num abrir e fechar de olhos. Nem sei, tão pouco, se algum dia alcançarei uma auto-estima tão elevada como elas... 

 

Infelizmente e apesar dos meus vinte e seis anos, entendi que o problema não esta em mim nem no peso, mas nos outros. Vivemos numa sociedade demasiado preocupada com o exterior e a vida alheia. Olhamos de lado quando uma mulher ou homem gordo namoram ou casam com alguém do mesmo tamanho ou de tamanho inferior. É raro vermos tamanhos grandes trabalharem em certas lojas de roupa, as mesmas que diminuem os tamanhos; tal como é raro assistirmos a novelas em que os protagonistas fogem às normas de beleza. Vivemos numa sociedade de aparências, marcada pelo poder e influência da comunicação social e do marketing, ensinando as nossas crianças de que magro é bonito... a tornarem-se naquilo que as televisões querem que todos sejamos. 

 

Enquanto o peso for mais importante do que a pessoa, enquanto valorizamos o exterior ao interior, a cor, a raça, a nacionalidade e religião, enquanto tudo isto existir, dificilmente conseguiremos evoluir ou aprender as diferenças.

 

E, para terminar, algumas modelos reais/tamanhos grandes/plus size (ou o que lhe queiram chamar) do mundo da moda,

 

Denise Bidot

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Marquita Pring

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Georgina Burke

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Podem encontrar estas e outras modelos aqui.

Dizem que,


M*

21.01.15

quando não conseguimos dormir à noite, é porque estamos acordados no sonho de alguém. A ser verdade, tenho a dizer-te que és o meu ladrão mais descarado. Roubas-me o sono para me teres nos teus sonhos. E, depois, quando me recupero, invades o meu sonho sem pedir qualquer permissão. É em ti que descanso e recupero o sono que me roubaste, enquanto me aconchegas em ti e brincas com os meus cabelos. Noutras noites, entras com pés silenciosos, quase nem te sinto, e abraças-me num abraço apertado, sussurras-me algo ao ouvido e... foges, deixas-me sozinha, quase nem dou por isso, tão silenciosamente como entraste. É estranho. Nunca sonhei com as cores, é sempre um mundo demasiado cinzento e, tu, chegas e dá-lhes um brilho especial. 

 

Dizem que quando não conseguimos dormir à noite, é porque estamos acordados no sonho de alguém. A ser verdade, o que sonhas tu quando me levas para os teus sonhos? 

 

Dizem que... e, a ser verdade, quero-te aqui... abraçar, tocar, sentir e beijar todos os dias e não em meros sonhos. Não quero estar nos teus sonhos. Não te quero mais nos meus. Quero saber quem és, como és, de onde és e se sonhas com uma viagem de comboio pela Europa. Quero o sonho real, pintado pelos dias ao teu lado. Não quero mais sonhos cinzentos nem um rosto tão familiar que, verdadeiramente, desconheço. Quero-te aqui. Por quanto tempo ainda continuaremos a sonhar um com o outro?

9 | Da minha estante... A Menina Que Fazia Nevar.


M*

20.01.15

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 A Menina Que Fazia Nevar é, provavelmente, um dos livros mais bonitos que li até hoje. Uma história tocante e sensível, curiosa e diferente. Uma agradável surpresa onde temas como a religião, solidão, fanatismo e o bullying se misturam com o amor, a fé, o perdão e a imaginação. 

 

Judith é uma menina de dez anos que vive com o pai numa pequena cidade. Não tem amigos e é constantemente agredida, física e psicologicamente, pelos colegas. O pai, um homem de grande fervor religioso, trabalha numa fábrica e rege os dias da família segundo os mandamentos religiosos. Todos os dias ao regressar a casa, Judith e o pai, rezam e analisam textos da Bíblia. Pai e filha, atrevo-me a dizer, são dois desconhecidos que apenas falam de Deus e dos seus ensinamentos. Por conseguinte, os dias de Judith são passados na solidão do seu pequeno quarto. Nele construiu um pequeno mundo em miniatura, através de restos de lixo, que apelidou de Terra de Leite e Mel. Judith acredita que faz milagres quando, pela primeira vez, fez nevar no seu mundo em miniatura e, na manhã seguinte, a pequena cidade se vestiu de branco em pleno mês de Outubro. Judith acredita, igualmente, que fala com Deus.  

 

A Menina Que Fazia Nevar despertou, em mim, um turbilhão de sentimentos: ora de revolta pela forma como Judith é tratada pelos demais, ora de querer entrar no livro e acordar o pai do mundo religioso, ora de reflexão sobre os perigos do fanatismo religioso... e, se de facto todos seguíssemos os mandamentos da religião, independentemente de qual seja a religião, o Mundo seria um lugar extremamente difícil de se viver. Aliás, quando entregamos e vivemos mediante o que interpretamos de um livro, corremos o risco de sermos meros fantoches e de arrastar os demais, sem conseguirmos viver e aproveitar os dias. 

 

O livro esta repleto de questões e momentos de reflexão. Os milagres e poderes que Judith fala - para mim, golpes de sorte ou traçados pelo destino - leva-nos a reflectir sobre eles, mostrando-nos quem têm a força para os concretizar: nós? Deus? ou ambos?. Outra questão que fica em aberto: será, de facto, que Judith falava com Deus ou seria algum transtorno psicológico da menina?

 

Grace McCleen escreve de forma cativante e ponderada, uma escrita que nos vicia e não nos permite abandonar a leitura... uma escrita que nos troca as voltas.

 

Comprei A Menina Que Fazia Nevar, como anteriormente referi aqui, por me recomendaram. Mas, não só... A capa é extremamente cativante, embora goste mais desta (a versão brasileira, mais próxima da realidade do livro), bem como pelo título e sinopse. Não sendo eu de modo algum crente ou ligada à religião - aliás, tenho uma visão um pouco radical das religiões que, acredito, serem o grande problema de quase todos os conflitos - estes temas, de cariz religioso, sempre me interessaram, especialmente aqueles com pitadas de polémica (como, A Filha do Papa de Luís Miguel Rocha). Ainda assim, este livro tornou-se inesquecível... especialmente, pela reviravolta que sofre.

 

A Menina Que Fazia Nevar de Grace McCleen é uma leitura que recomendo a judeus, cristãos, muçulmanos e qualquer religioso, a cépticos e não crentes.

 

(mais informações sobre o livro em Editorial Presença)

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