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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Casa de doidos, prédio maluco.

A minha mãe, ao ver-me chegar com dois novos livros, diz-me mais ou menos isto*:

 

Oh filha, e arranjar um namorado, não?! Com vinte e seis anos já era altura.

 

Eu suspiro e conto mentalmente até dez, ponderando uma resposta. Porém, a minha irmã antecipa-se e, do sofá onde vê televisão, responde:

 

A mana, com aquele mau feitio e sempre agarrada aos livros dificilmente volta a arranja um namorado.

 

O meu irmão, para demonstrar o ar da sua graça, diz:

 

Ela vai-se casar com os livros...

 

Eu limito-me a gritar - um estridente ahahahah -, a minha mãe berra e diz que pareço uma doida, a irmã rir-se qual maluca, o irmão diz que não pareço mas que, efectivamente, sou doida e eu, depois de me calar, respondo:

 

Bolas! Como é que eu não vou ficar doida quando criticam a minha paixão por livros?! Eu também não vos critico por gastarem dinheiro lá no sporting nem em roupa. Irra, vocês...

 

E não cheguei a terminar o meu pensamento porque, do nada, ouve-se a voz grossa e elevada do nosso vizinho...

 

Oh paaiiiiii!!!

 

Escusado será dizer que a conversa terminou aqui, com os quatros às gargalhadas. Uma casa de doidos, um prédio de malucos.

 

 

* (vou tentar reproduzir a conversa o mais fielmente possível)

**(o prédio é de construção antiga e, portanto, os isolamentos péssimos. ou seja, volta e meia, ouve-se o berro de alguém para lá da parede ou, inclusive, o som de um prato a cair. é certo que eles também ouviram as nossas gargalhadas...)

3 | Postcrossing,

da Petra,

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 Alemanha

 

E, ao abrir a caixa de correio, deparei-me com este bonito postal.

 

O postcrossing, que por diversas vezes escrevi, mais não é do que uma troca de postais com pessoas de vários pontos do planeta. É uma partilha e um passatempo que me rouba um enorme sorriso sempre que abro a caixa de correio.

 

Hoje, 27, chegou o terceiro, depois de uma viagem de mais de mil e quatrocentos quilómetros. Amanhã, de mim, parte um bocadinho da minha vila com destino à Holanda. 

10 | Da minha estante... O Menino de Cabul.

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 O Menino de Cabul é uma viagem inesquecível sobre a amizade, a lealdade e o perdão. Um livro marcante, numa escrita sensível e tocante.

 

Khaled Hosseini convida-nos a conhecer a cidade de Cabul e a sociedade afegã, através de Amir, o narrador e protagonista, antes da invasão soviética, dos talibãs e dos rockets. Numa viagem pela infância e adolescência de Amir, reflectimos sobre aquilo que hoje é o Afeganistão, um país que deixou de existir, as consequências devastadoras das políticas e sucessivas guerras que o país atravessou. 

 

Amir e Hassam, duas crianças unidas pela mesma ama de leite, cujas vidas se distanciam. Amir é o filho de um respeitado e sábio mercador de Cabul, frequenta a escola, lê livros e escreve histórias; Hassam é filho do criado da casa, analfabeto, quem prepara o pequeno-almoço de Amir e lhe trata da roupa da escola. Hassam nutre por Amir um sentimento de enorme lealdade, incapaz de mentir e sempre pronto a encobrir todas as diabruras de Amir. Hassam é corajoso e dono de um coração generoso. Amir, por sua vez é, numa primeira análise, considerado um menino mimado, egoísta e cobarde, que reivindica para si a atenção e se aproveita da amizade e lealdade de Hassam. O destino de ambos manter-se-à unido até a tragédia e a atitude cobarde de Amir ditar rumos de vida distintos. Amir muda-se com o pai para os EUA, num momento de mudança no Afeganistão, Hassam permanece. Porém e quando julgava que o passado estava enterrado em Cabul, o destino de Amir mostra-lhe o caminho da reconciliação e rendição com um passado que tanto o atormenta. 

 

Khaled Hosseini não é uma novidade para mim; tal como no primeiro livro que li, Mil Sóis Resplandecentes (opinião aqui), o autor possui o dom de prender o leitor, da primeira à última palavra, e de incentivar a conhecer a história do Afeganistão - em Mil Sóis Resplandecentes a componente sociopolítica afegã é, para mim, mais aprofundada, conciliando-o com as narrativas das personagens. Ler as palavras deste escritor afegão é, na verdade, uma leitura vibrante, extrema e cativante, que despertar inúmeros sentimentos. Cada livro é inesquecível e poderoso.

 

O Menino de Cabul tornou-se num dos meus livros favoritos, uma leitura recomendável e marcante, uma ode à liberdade, amizade e perdão. Khaled Hosseini um autor a acompanhar, um dos meus favoritos, onde descobrimos o melhor e o pior do mundo afegão - faltando-me ler E As Montanhas Ecoaram.

 

Por fim, refira-se que, em 2007, O Menino de Cabul, foi adaptado a filme.

 

(mais informações sobre o livro em Editorial Presença)

(frases do livro em Dos Meus Livros)

Um mar de livros... estou a ler,

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