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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

Para rir ou chorar,

como preferirem...

 

 

Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta. Albert Einstein.

 

 

Não me considero a pessoa mais inteligente ou culta do Mundo. Dou as minhas calinadas, tropeço e também não sei qual é a capital da Geórgia - mas já fui pesquisar. Mas, na dúvida, entre dizer o primeiro disparate que me surja ou responder um simples não sei, opto pelo segundo e vou conhecer. Parece-me mais digno do que dizer disparates como os Açores têm sete ilhas ou Chernobyl deve ser um que inventou o ambiente...

4 | Postcrossing,

da Andrea,

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Holanda.

 

A felicidade é algo tão simples e consiste em abrir a caixa do correio e encontrar um novo postal, ler as mensagens e sorrir. O postal da Andrea percorreu uns mil e seiscentos quilómetros, em sete dias e através da curta mensagem deixou-me encantada. Coisas tão simples que alegram a alma. 

3 | Hora da leitura,

  Nunca Me Esqueças

Lesley Pearse

 

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Nunca Me Esqueças é uma viagem aos finais do século XVIII e à colonização da Austrália. Baseado no diário do capitão-tenente WatkinTrench, bem como de vários oficias e soldados da Primeira Frota e de registo da época, Pearse criou um romance sob a história verídica de Mary Broad, a filha de humildes pescadores da Cornualha, demasiado evoluída para a época e condenada à forca por roubar um chapéu. Perdoado o castigo, Mary é obrigada a embarca, juntamente com outros condenados, no primeiro navio rumo à colonização da Nova Gales do Sul (ou, se preferirem, a colónia dos condenados ingleses).

 

Pelas primeiras duzentas páginas (o livro conta com aproximadamente quatrocentas e trinta - versão normal), Nunca Me Esqueças sensibilizou-me pela relação próxima e humana que Mary estabeleceu com os indígenas, bem como de revolta e choque pelos relatos marcantes e desumanos da viagem de Mary e demais condenados e pela negligente atenção de Inglaterra para com os primeiros habitantes da colónia Nova Gales do Sul. 

 

O livro é mais do que um romance: é uma viagem pela História (para mim, desconhecida), uma singela homenagem aos oficiais, soldados e criminosos da Primeira Frota que ajudaram a colonizar a Nova Gales do Sul. Acredito que, todos eles, onde quer que estejam, certamente se orgulharam da colónia, hoje país, em que se transformou a Nova Gales do Sul, a Austrália que conhecemos. 

 

Sinopse:

Num dia…

Com um gesto apenas…

A vida de Mary mudou para sempre.

Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary – filha de humildes pescadores da Cornualha – traçou o seu destino ao roubar um chapéu.

O seu castigo: a forca.

A sua única alternativa: recomeçar a vida no outro lado do mundo. Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido… como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada, Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História.

Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse – a rainha do romance inglês – apresenta-nos Mary Broad e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.

Casa de doidos, prédio maluco.

A minha mãe, ao ver-me chegar com dois novos livros, diz-me mais ou menos isto*:

 

Oh filha, e arranjar um namorado, não?! Com vinte e seis anos já era altura.

 

Eu suspiro e conto mentalmente até dez, ponderando uma resposta. Porém, a minha irmã antecipa-se e, do sofá onde vê televisão, responde:

 

A mana, com aquele mau feitio e sempre agarrada aos livros dificilmente volta a arranja um namorado.

 

O meu irmão, para demonstrar o ar da sua graça, diz:

 

Ela vai-se casar com os livros...

 

Eu limito-me a gritar - um estridente ahahahah -, a minha mãe berra e diz que pareço uma doida, a irmã rir-se qual maluca, o irmão diz que não pareço mas que, efectivamente, sou doida e eu, depois de me calar, respondo:

 

Bolas! Como é que eu não vou ficar doida quando criticam a minha paixão por livros?! Eu também não vos critico por gastarem dinheiro lá no sporting nem em roupa. Irra, vocês...

 

E não cheguei a terminar o meu pensamento porque, do nada, ouve-se a voz grossa e elevada do nosso vizinho...

 

Oh paaiiiiii!!!

 

Escusado será dizer que a conversa terminou aqui, com os quatros às gargalhadas. Uma casa de doidos, um prédio de malucos.

 

 

* (vou tentar reproduzir a conversa o mais fielmente possível)

**(o prédio é de construção antiga e, portanto, os isolamentos péssimos. ou seja, volta e meia, ouve-se o berro de alguém para lá da parede ou, inclusive, o som de um prato a cair. é certo que eles também ouviram as nossas gargalhadas...)

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