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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

Postais,

sempre gostei de postais. Tenho postais de cariz religioso que, todos os Natais e Pascoas, as catequistas faziam questão de oferecer; postais das cidades ou vilas por onde andei; postais cheios de recordações e História; postais com animais oferecidos pela National Geographic (dos tempos em que a revista trazia um brinde); postais com plantas, flores e desenhos ou os simples postais das empresas com que o meu pai negociava e que, a cada ano, recebia um diferente. Quase todos guardei numa grande gaveta do quarto que durante anos partilhava com a minha irmã mais nova (não a gaveta, mas o quarto), a chamada gaveta das memórias - para além de postais, guardava mil e uma pequenas coisas, como fotografias, desenhos, bilhetes de comboio ou cinema, qualquer coisa que, em algum momento, me tivessem feito feliz (a minha mãe baptizou-a de gaveta das tralhas, uma vez que não via utilidade em guardar tralha). Sempre gostei de guardar coisas. Durante anos coleccionei postais de todas as formas, cores e feitios mas, se tivesse de escolher os meus preferidos, seriam estes,

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recheados de História, memórias de um tempo distante, que nunca vivi mas que sempre fascinou e seduz. É, simultaneamente estranho e maravilhoso olhar para algumas destas cidades, ruas ou pontes que tão bem conheço, e contemplar o passado olhando-as no presente... ou, às desconhecidas, pela beleza do postal. Sou uma apaixonada por História. Pelo passado que nos relatam nas salas de aula e pelo passado que ninguém menciona e que se aprende através de postais, memórias, filmes, livros bibliográficos ou romances (com uma pitada de fantasia e outra de realidade). O passado, para muitos é uma tédio, para mim, uma fonte para entender quem somos, como somos e para onde vamos (como dizia um dos meus professores universitários que leccionava História)

 

Com as mudanças na minha vida, como a ida para a Universidade ou as obras feitas nos quartos, a gaveta desapareceu e muitos dos meus postais perderam-se.

 

Regressando à ideia dos postais e colocando a minha paixão pela História de parte, descobri um site onde os utilizadores podem partilhar postais. Chama-se Postcrossing. A ideia é dar uso às caixas de correio para lá das habituais cartas com contas para pagar e de publicidade. O projecto partiu de um português a morar na Alemanha cansado de receber sempre as mesmas cartas, sendo a surpresa o ingrediente principal. Enviar um postal e receber um postal que pode vir de qualquer parte do mundo, sem nunca contarmos ou prevermos é, simplesmente, fantástico! Depois, basta registar o postal no site para que os restantes utilizadores o possam ver e continuar a partilhar postais... Eu já me inscrevi e, embora o site esteja na língua de Shakespeare e da Rainha Victoria (culpa do livro que ando a ler e que estou, numa palavra, a amar) e não seja grande entendedora, lá vou fazendo o esforço para escrever e ler em inglês (também sou preguiçosa e, portanto, uma força de me obrigar a relembrar e de treinar). Tudo em nome deste bichinho engraçado que são os postais. Postais são

 

mensagens curtas e simples, ilustradas com uma imagem que mostra uma pequena janela para outro ponto do mundo.

 

O meu primeiro postal parte hoje; destino: Alemanha. Quando receber o primeiro, logo o partilho por aqui...

 

 

* (os postais da imagem fazem parte da Colecção Selos e Postais de Portugal: três séculos de História dos CTT e, sinceramente, não me recordo como os coleccionei... mas são lindíssimos e sobreviveram às mudanças e a minha irmã!)

Obrigado,

pelos destaques, 

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Escrevi o texto destacado há algumas semanas, talvez aquando da divulgação do segundo trailler do filme e depois de mais umas quantas partilhas excitadas do mesmo no facebook. É um daqueles textos que ficam a fermentar nos rascunhos como que esperando pela melhora altura para o publicar... e, sem qualquer motivo ou talvez porque não tinha mais nada para escrever, acabou publicado à dois dias. Escrevi o que me veio à alma, consciente despertaria amores e ódios de quem lê-se. Jamais imaginei que fosse alvo de destaque. Mas, ainda bem que o foi... Li comentários que me fizeram reflectir, algumas opiniões contrárias mas fundamentadas e os típicos comentários negativos e sem fundamento (que, não merecem qualquer atenção). A todos, do mais positivo ao mais negativo (mesmo aos que me crucificaram pelo erro ortográfico), o meu sincero obrigado.

 

A questão da violência psicológica e doméstica, seja num casamento ou no namoro, de homem contra a mulher ou da mulher contra o homem é um tema sensível e complexo ao qual não podemos simplesmente fechar os olhos. O livro de E. L. James não passa de pura ficção mas em alguma realidade se baseou... e, quantos de nós, ao lerem o livro, não sentiram que conheciam aquilo de algum lado? Aquela história ou aquele sentimento? Eu sim, confesso: momentos em que identifiquei com o meu passado ou com a história de alguém. A velha mania de dar um final feliz às histórias e de transformar os maus em bons... A linha que separa a ficção da realidade é frágil e o final é sempre distinto. 

*Sobre (a excitação em torno de) As Cinquenta Sombras de Grey.

Talvez seja problema que, sei lá, sou um tanto ou quanto exagerada ou, quiçá, seja um bocadinho anormal mas, sinceramente, não entendo o alarido em torno da adaptação cinematográfica de As Cinquenta Sombras de Grey. Sim, leram bem: eu, M*, não entendo o entusiasmos mundial e excitação feminina para com os livros e futuros filmes de E. L. James...

 

Bom, vamos por partes...

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 (poster oficial)

 

Eu li os livros. Ou melhor, eu li o primeiro livro e metade do segundo. Li pelo mesmo motivo que quase todas leram: curiosidade. Confesso: do primeiro gostei. Parecia uma espécie de história à Cinderela (talvez não seja a escolha mais acertada, mas não me lembro de outra história) dos tempos modernos. E, admito (se a memória não me falha), gostei dos gestos românticos e dos sentimentos de preocupação e conquista de Christian Grey. Do segundo livro, o mesmo já não posso dizer. Consegui, a muito custo, chegar a meio do livro. Não gosto de deixar livros por ler mas, foi-me impossível terminar a leitura: quando tenho necessidade de saltar partes, o interesse e entusiasmo pelo livro acaba por morrer. Sim, leram bem... na ânsia de tentar ler o livro até ao fim, saltei as partes de sexo que, embora diferentes, tornam-se sempre o mesmo. E, bah, eu não sou nenhuma santa, gosto de sexo e tenho as minhas fantasias sexuais, algumas retratadas no livro mas, sei lá, aquilo era exagerado... a cada duas páginas (e, mais uma vez, se a memória não me falha) uma nova cena de sexo... irra! Quanto ao terceiro livro, nem quis saber... contentei-me com o relato entusiasmado das minhas amigas e colegas, suspirando por Grey. 

 

Segunda parte: a Anastacia é uma tipa sem sal a quem, por diversas vezes, me apeteceu entrar no livro e abanar a moça; e, o Grey, um gajo obsessivo, ciumento, manipulador e machista. Os gestos que gostei no primeiro livro, transformaram-se em cenários violentos de um namorado abusador. Enquanto amigas e colegas sonhavam tornar-se a Anastacia da vida real, eu questionava-me se achariam graça a um Christian real chantagista e possessivo, que as tenta afastar do melhor amigo e de tudo o que seja elemento masculino... talvez o problema seja meu que, exagero sempre um bocadinho e, em verdade se diga, não passa de um livro. Mas, quando, na altura, me apelidaram (as amigas) de exagerada, propôs-lhe o exercício simples de tentar imaginar um namorado como o personagem, relatando algumas das passagens do livro... e, a custo, lá cederam e concordaram comigo... Eu nunca deixaria que o meu namorado me tratasse assim ou sequer me tentasse controlar mas, oh, o Grey é tão charmoso e é esse lado possessivo que o torna encantador! - respondia-me elas.

 

Por último, eu tenho curiosidade em ver o filme. Sim, eu quero ver o filme. Inclusive, acompanho a página de facebook do filme e já vi os dois traillers. E, depois destas minha exposição negativa sobre os livros de E. L. James, porque raio ainda quero ver o filme? Essencialmente porque quero ver como irão transformar um livro que, mais não é, do que uma versão pomposa do kamasutra, em filme, sem o transformar numa pornografia barata de um qualquer site do género. E, porque, também, tenho interesse em ver como os actores interpretaram as personagens (sobretudo, depois da escandalosa escolha em torno do actor que dará vida a Grey). Mas, não pensem que tenciono ir a correr para a sala de cinema ou enfiar-me numa fila de quatro horas para comprar o bilhete (prevejo este cenário aquando da estreia). Não, nem pensar... 30 km entre a santa terra e a sala de cinema mandam mais do que um Grey (e nem falemos no preço absurdo dos bilhetes). Quando, e se algum dia chegar ao mundo da internet e dos filmes online, logo os vejo (aos três ou mais, não vá alguém lembrar-se de dividir o último livro em duas partes)... e, sinceramente, se não o vir, é-me igual.

 

Em resumo, nem todas as mulheres são Anastacias e, nem todos os homens são Greys, a considerarem-se donos das namoradas ou esposas. Admito que tenho uma visão romântica das relações: sim, eu quero alguém que me defenda e proteja, que esteja ao meu lado mas, acima de tudo, que respeite me respeite e aceite o meu espaço, as minhas amizades e as escolhas que tomo... não preciso de alguém que me vigie e me diga com quem devo falar ou estar (ou, inclusive, o que comer). Até porque, os Greys e Anastacias da vida real, muitas vezes, acabam em tragédia...

 

 

* (o título foi propositadamente colocada assim, uma vez que se trata de uma opinião (aliás, como tudo o que escrevo)... antes que alguma doidona pelo livro/filme me critique)

** (e não, não li mais nenhum livro do género)

Conversas de café | 3

Não o conhecia de lado algum. Queixava-se que todos, amigos e colegas, o gozam pela falta de cultura geral; fiz umas perguntas que, achava eu, eram daquelas básicas... portanto...

 

diz que a princesa Diana de Gales era princesa espanhola(como se não bastasse) Gales fica na América

 

(esta foi mais ou menos a minha expressão)

 

...escutado da boca de um jovem de vinte anos. A gargalhada foi geral. Das duas uma: ou gozava comigo ou, de facto, cultura geral não é o seu forte. Prefiro acreditar na primeira hipótese.

 

(eu, acrescento, a culpa disto é dos Índios viverem em África)