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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

Vinte...

Vinte livros em 2014,

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A meta literária a que me propus, vinte livros em 2014: iniciado com a autobiografia de Malala e concluído ontem, com a forte e intensa Rainha D. Maria II. Através da minha conta pessoal no Goodreads, fui colocando as datas de início e fim das minhas leituras, estabelecendo a contagem dos livros que li, sobretudo e de modo a não me perder.

 

Vinte livros pareceu-me um número mais real e sincero do que trinta ou cinquenta, como vi tantos auto proporem-se. Vinte para saborear e ler sem pressas. Inicialmente pensei em vinte e seis (um número que gosto), mas achei que seria um objectivo irreal tendo em conta que, no início do ano, encontrava-me a estagiar e não sabia o que me reservava o futuro quando o terminasse. Por outro lado, vinte e seis seria um valor pouco suportável, no caso ficar desempregada (aliás, se com vinte já o foi... muito na base de promoções, segundas mãos, passatempos e um livro-presente), e amigo da minha carteira. 

 

Vinte livros sublinhados, dobrados nos cantos, com o ano em que foram lidos. Eu e a minha velha mania de os assinalar porque, como dizia uma professora, quando se gosta muito de um livro, deixamos sempre uma marca... um sinal de amor do ano em que foram lidos,

 

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Eu, Malala

A Vida Louca dos Reis e Rainhas de Portugal

Num Breve Fechar de Olhos

O Que é o Quê?

Prometo Falhar

Anna e o Beijo Francês

O Estranho Ano de Vanessa M.

Prometes?

A Guerra dos Tronos

Chocoólico

A Rapariga Que Roubava Livros

Memórias de Um Amigo Imaginário

D. Maria II

Geração Mil Euros (em falta na fotografia de família porque não sei exactamente onde o coloquei)

O Teorema de Katherine

Cidades de Papel

Marina

O Prisioneiro do Céu - O Cemitério dos Livros Esquecidos

O Príncipe da Neblina - Trilogia da Neblina I

O Palácio da Meia-Noite - Trilogia da Neblina II

 

Surpreenderam-se (suponho eu) que tenha lido tanto de Carlos Ruiz Zafón, sobretudo depois de já aqui ter mencionado que adorava os seus livros, a forma fluente e cativante da sua escrita. A verdade é que descobri o escritor espanhol nos meses finais de 2013 com A Sombra do Vento e, incentivada por um amigo que também o adorava, descrevendo-o como viciante, atrevi-me a ler O Jogo do Anjo. Depois veio Marina, O Prisioneiro do Céu e, enfim, neste momento já me deixei levar pela magia de As Luzes de Setembro (Trilogia da Neblina III). É daqueles escritores que nos prende, transportando-nos para os cenários de Trilogia da Neblina ou para Barcelona de O Cemitério dos Livros Esquecidos

 

Isabel Stilwell será, certamente, uma autora a reencontrar em 2015. D. Maria II revelou-se uma agradável leitura:  rica nas descrições das lembranças sobre o Brasil, diálogos cativantes, referencias ao estado económico e social do país e o cuidado em interligar a vida da Rainha portuguesa à Rainha de Inglaterra, Vitória. O livro baseia-se, em grande parte, em cartas e diários reais, sobretudo, os de Vitória, deixando transparecer a amizade que as unia. Stilwell descreveu as personagens de forma tão maravilhosa e envolvente que, por diversas vezes, pesquisei sobre elas. Porém, admito que, lá para meio, o livro tornou-se maçudo, perdendo o encanto inicial: os relatos constantes da Rainha grávida, o "faz e desfaz" de governos e constantes intrigas (sem explicar os motivos) e a falta de referências à Carta que tantas vezes menciona, fez com demorasse mais do que inicialmente previa. Ainda assim, D. Maria é, sem dúvida, uma Rainha cativante e fascinante, teimosa, que não se deixou intimidar com a condição de mulher numa sociedade que as inferiorizava... Uma leitura claramente recomendável para os amantes de romances históricos. 

 

E, posto isto, destes vinte, quais os meus preferidos em 2014? Elejo cinco e sem qualquer ordem de preferência,

   D. Maria II

   Eu, Malala

   O Jogo do Anjo

   A Rapariga Que Roubava Livros

   Memórias de Um Amigo Imaginário

 

Não posso fechar este meu relato de aventuras literárias sem mencionar o livro,

   O Que é o Quê

Mais uma emocionante história de vida: a autobiografia de Valentino Achak Deng pelas palavras de Dave Eggers.

Valentino é um jovem sudanês em constante busca pela sobrevivência. Valentino cresceu e viveu com a guerra, numa aldeia no Sul do Sudão, privado de infância e adolescência, longe dos pais e da família, sempre em constante fuga. É, um livro de leitura difícil, não pela escrita, mas pelo relato das privações e dificuldades que o jovem, aliás, milhares como ele, passam para fugir à guerra. Mais do que uma vez vi-me obrigada a parar, mais do que uma vez tive vontade de chorar com o que li, mais do que uma vez senti um enorme aperto na alma e o sabor da injustiça.

O Que é o Quê faz-nos reflectir sobre o valor da vida e o peso das religiões, no sofrimento de milhões em constante guerras, as dificuldades de integração dos refugiados noutras sociedades, no valor de pequenas e insignificantes coisas do nosso dia-a-dia que, noutro local do Globo, tanto valor ganhariam... como o relato que faz quando as crianças da aldeia observam pela primeira vez uma bicicleta. Apesar de todas as privações e de, em várias passagem, colocar em causa a existência de Deus e mostrar vontade de desistir, Valentino mostra-se um homem optimista e agarrado à vida, lutador e persistente... trata-se de uma leitura marcante, impossível de esquecer ou de ficar indiferente.

Em 2007, Valentino abandonou os EUA, regressou à sua aldeia natal no Sul do Sudão e criou a Valentino Achak Deng Foundation destinado ao desenvolvimento da educação no seu país. 

 

E, por fim, porque também tenho a minha desilusões literária, 

   Prometo Falhar 

Muito lamechas, muito remélico, muito repetitivo. Foi a primeira vez que li algo de Pedro Chagas Freitas e certamente será o último.

 

Para 2015 ainda não pensei numa meta mas, ainda tenho tempo e livros em espera... 2014 ainda nem terminou e eu estou no vigésimo primeiro livro. 

Dos meus sonhos | 3

Um dia, quando for grande (não que eu vá crescer mais do 1.66 mas, no sentido de idade, sei lá, quando tiver uns 40 anos) e rica (tendo em conta o preço dos livros), quero ter em minha casa uma biblioteca pessoal assim,

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Com escadas para chegar ao alto da estante, um cantinho junto à janela para ler e uma lareira ali pertinho para aquecer o espaço nas noites de Inverno. 

Ou, em alternativa, também pode ser assim,

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Não existem escadas, mas com um banco chego ao alto da estante (ou, quem sabe o meu futuro moçoilo seja mais alto que eu... aquele que se perdeu, provavelmente, numa livraria **). Com vista para o mar, de preferência; ok, também pode ser como a da imagem, assim com vista para as montanhas verdes.

Ou, ainda, assim,

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Não que eu pretenda uma sala com tantos sofás e almofadas, mas achei piada à biblioteca pessoal e ao conceito.

Ou, para terminar, 

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 Mas, para esta última, precisava de ser milionária em vez de rica.

 

Em resumo,

 

 

Quero uma casa cheia de livros!

 

 

 

(ou de ganhar o euromilhões mas, como nunca jogo (porque me esqueço de jogar) dificilmente ganharei seja o que for; além disso, sou azarada para estas coisas... nem em passatempos ganho nada!)

** (e, caso não tenha o bichinho dos livros, desde que o moçoilo seja saudável mentalmente com uma dose certa de pancada, também será bem recebido.)

Porque hoje é o,

Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulher *, vou contar a história de uma menina-mulher a quem, um dia, lhe bastou um estalo do (suposto) príncipe encantado para por fim à violência psicológica.

 

Começa assim...

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 (in Shiuuuu)

 

Era uma vez, uma menina tímida e introvertida que sonhava todas as noites com o seu príncipe encantado. Um príncipe que gostasse dela, tal como era, protegendo-a e cuidando-a. Acreditava que, um dia, quando fosse adulta, encontraria esse príncipe e, todas as noites fazia o mesmo pedido ao céu e às estrelas: um príncipe como o dos contos das princesas e fadas que a mãe tantas vezes lhe lerá.

 

Os anos, meses, semanas passaram-se e esta menina cresceu mergulhada na insegurança e nos medos: todos lhe diziam que era feia e gorda, que nunca encontraria ninguém. Os dias de sol e calor sucederam-se aos dias de chuva e frio, a vida não parava e, a cada novo ciclo, a menina agora feita uma jovem tornava-se mais fechada. Acreditava nas palavras de cada amiga, de cada colega, achava-se feia e gorda e acreditava piamente que, alguém como ela, nunca teria um príncipe encantado que lhe dissesse o oposto. 

 

As noites deram lugar aos dias, os dias às noite e, a agora mulher, chegou à Universidade sem saber o que era amar-se a ela mesma, o sabor de um beijo ou o abraço apertado de alguém que nos ame. Num corpo de mulher, escondia-se uma menina insegura, tímida, introvertida, acreditando que a vida destinará para ela a solidão... e, quando lhe perguntavam se já tinha namorado, sentia que o mundo a julgava como se de uma falhada se tratasse, porque com a idade de vinte e dois anos já deveria ter tido, pelo menos, um namorado e saber o que se sentia a beijar alguém. 

 

Um dia, nem ela sabe muito bem como foi ou porquê, conheceu aquele que acreditava ser o seu príncipe encantado. Os olhares cruzavam-se na mesma rua e, das primeiras trocas de palavras ao primeiro encontro, as semanas fizeram-se passar rápido. Ele dizia-se encantado pelo sorriso dela e ela, ainda sem se amar, achava que tinha encontrado um amor dos contos de fada. A menina-mulher sentia-se feliz e, quiçá, pela primeira vez, descobriu o que era sentir-se protegida. Do primeiro encontro ao primeiro beijo e consequente início de namoro passaram alguns dias e no rosto estampava um sorriso e um brilho especial no olhar. Já sabia como era sentir a barriga com borboletas e o sabor de um beijo: a pastilhas de menta que ele mastigava para disfarçar o hálito a cigarro, que ela detestava... provavelmente, o único defeito que lhe encontrou no primeiro mês de namoro. Não viu como defeito as humilhações em público, quiçá com dois meses: como aquela vez em que lhe disse que não passava de uma burra porque não sabia a marca de um automóvel ou o significado de uma palavra em inglês; nem daquela vez em que, na companhia de uma amiga, lhe chamou palerma e estúpida porque deixará entornar o café... Também não viu como defeito a noite em que ele lhe pedira o telemóvel para lhe ver as mensagens ou o filme ciumento que imaginará por passar a tarde a trabalhar com os colegas de faculdade (e, somente, porque não tinha ido com a cara deles). Tanta coisa que ela não viu (ou que não quis ver), mesmo quando a tentaram alertar, quando a amiga lhe disse que o único futuro dos dois era com ele a bater-lhe... Nem mesmo quando, distantes de casa e em acesa discussão, ele a mandou sair do carro aos gritos, mandando-a para casa a pé (e, (supostamente) arrependido, prometeu não voltar a fazer o mesmo... repetindo um semelhante episódio algumas semanas antes de completarem um ano de namoro). A menina-mulher não viu nada disto porque tinha medo da solidão, não viu como ele jogou com os seus medos e brincou com ela, lhe destruir a já frágil auto-estima e confiança. Acreditava que, com paciência, amor e a ajuda do tempo o mudaria (a palermice das mulheres acharem que conseguem mudar um homem); porque ele lhe prometera controlar o feitio impulsivo... não a queria perder e ela acreditou. Não tinham nem um ano de namoro (ou a morar juntos, como ele tanto desejava) e já tinham passado por tanto... 

 

A realidade atingiu-a dura e fria quando, certa tarde e já depois de celebrarem o primeiro ano de namoro, ele lhe deu um estalo, atirando-a contra a parede e gritando-lhe que, por ser gorda, mais ninguém a amaria como ele a ama. A menina-mulher deixou-se escorrer pela parede, lavada em lágrimas, confusa, envergonhada, revoltada; enquanto ele se refugiava nos cigarros. Passaram-se minutos, quase horas, quando ele regressou mais calmo, prometendo que não voltaria a fazê-lo, que a culpa era dele e do descontrolo que não controlava. Não foi naquele dia que terminaram mas, algumas semanas depois, a frágil e magoada menina pediu-lhe que terminassem, que já não amava, que precisava de tempo para si. Perguntou-lhe se era mesmo aquilo que queria fazer, alertando-a que, uma vez terminado não haveria retorno... e, assim foi.

 

Bastou um estalo para compreender o que não queria para a sua vida: um príncipe ciumento, impulsivo, controlador, que a fragilizava e a humilhava e onde (certamente) depois do primeiro estalo, se seguiria o segundo, o terceiro, o quarto...

 

Esta é a história das Antónias, Marianas e Joanas. De tantas meninas que sonham um príncipe encantado e se tornam mulheres vítimas de violência... daquela que lhes destrói a confiança e os sonhos, daquela que as mágoa e as marca para todo o sempre, uma dor física e uma dor psicológica. Um príncipe que as marca para sempre, pouco importa o tipo de relacionamento. Esta é a história das Sofias, Marias e Alexandras que tentam esconder, pela vergonha e revolta, a história que poucos conhecem... Uma história ficcional com tanto de real... ou será que andarei assim tão longe da realidade? Mudam-se os detalhes, mas o cenário é quase sempre o mesmo...

 

* (seria mais justo e igualitário chamar-lhe somente Dia Internacional pela Eliminação da Violência (ou de Género, algo assim, mais abrangente)... porque não é só de mulheres que se veste a violência física e psicológica)

 

** (é uma história fantasiada com detalhes de uma realidade próxima e de realidades que li e ouvi)

book.it,

...é o nome da minha DESGRAÇA (assim com caps lock e tudo)! É isso e o raio da promoção que ainda se mantêm... e eu, que apenas queria encontrar uma lembrancinha de Natal, acabei por trazer mais três livros. Pronto. Agora a lista de livros em espera ultrapassa os cinco e eu ainda nem acabei de conhecer a D. Maria II (e, adianto, que mulher extraordinária)

 

 

 

* (ah, e consegui a minha prenda!)

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