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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

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M*

04.07.14

É a primeira vez que participo neste desafio do Sapo Blogs. E, por ser a primeira vez, queria que fosse sobre algo que me tocou imenso. Nunca comentei, embora o siga religiosamente, porque simplesmente acho admirável as atitudes descritas.

Acredito que são as pequenas coisas do dia-a-dia que definem o significado de felicidade... são os pequenos gestos de uma ajuda inesperada, os pequenos encantos de um obrigado, o sorriso de saber que, provavelmente, mudamos um bocadinho do dia de alguém. E, é disto que fala a Catarina d' Oliveira no seu blog,

 

Happiness: only real when shared

 

Porque podemos fazer da vida um lugar colorido e melhor... com pequenos bocados de nós. 

 


ps. E, porque acredito em tudo isto e em muito mais, hoje, como já no passado o tinha feito, inscrevi-me no banco de voluntariado... com mais ou menos tempo, todos podemos fazer a diferença.

Nota mental.


M*

03.07.14

No dia em que tiver um menino (e se tiver), evitar que seja o pai a escolher o nome da criança... sobretudo, se for aficionado por futebol.

As palavras da minha avó.


M*

03.07.14

A minha avó, no alto dos seus quase 95 anos, segreda-me ao ouvido, no momento da despedida:

 

Minha neta, gostava tanto de ir ao casamento.

 

Com um sorriso, respondo-lhe que não tenho namorado nem perspectivas e que planos de casamento num futuro próximo são pouco pouco prováveis. Pede-me para que me aproxime dela (uma vez que esta acamada) e, novamente ao ouvido diz-me:

 

Nunca faças dietas. Escuta o que te digo. As dietas matam-te. O teu marido será aquele que gostar de ti tal e qual como és. Nunca te esqueças.

 

Sorri e dei-lhe um beijo na testa.  

Não sei que ligação é que ela fez, provavelmente, sentiu alguma mágoa nas minhas palavras... não sei. Sei que me deixou uma lágrima ao canto de olho e o coração amolecido. Depois destas palavras, dei por mim a pensar que não sei o que me mata mais: se o corpo, se o amor... ou, imaginar que ela pode partir sem ver a neta a casar - e são tantas as vezes que ela me fala nisto. 

 

Quanto tempo esperarias pelo amor da tua vida?


M*

02.07.14

Esperar é a coisa mais ridícula que o ser humano pode fazer, porque esperar não dá em nada. Eu não esperaria tempo nenhum. O amor da minha vida sou eu (...) Eu sou a pessoa a quem eu tenho primariamente de amar, sou eu. 

Esperar por alguém é negligenciar o tempo todo desde este momento até ao momento em que essa pessoa pode chegar ou não. (...) Além de a vida passar por ti, de não viveres porque estas à espera, aqui à frente nada te garante que essa pessoa venha... portanto, esperar é absolutamente ridículo. O amor da tua vida és tu.

Claro que tu precisas de alguém, não dependes, que vai enriquecer esse amor... que vá aperfeiçoar esse amor. Uma mulher (homem), um filho, um familiar, um amigo, uma paixão por um trabalho, por um hobbie, isso enriquece-me tudo... mas eu não dependo de nada disso, eu dependo de mim. Eu sou o amor da minha vida.

Há três tempos: o passado, o presente e o futuro. (...) E, depois há o agora. O agora não é o presente. (...) O presente, se dividirmos a palavra em dois: é pre-sente, é antes de sentir e o agora é quando nós sentimos. Eu posso estar no presente mas estar a raciocinar e nós não conseguimos sentir e pensar ao mesmo tempo. Ou pensas ou sentes. A mente e as sensações ao mesmo tempo não jogam. (...) Ou pensas ou sentes. (...) A nossa mente chama-se mente porque nos mente todos os dias. (...)

Esta questão do esperar, do depositar espectativas lá frente, vai negligenciar todo o teu presente, porque vais estar focado num tempo que é uma profunda ilusão, ele não existe... tu não sabes o que vai acontecer amanhã.

 

Gustavo Santos,

Quanto tempo esperarias pelo amor da tua vida?

 

 

Palavras mais do que perfeitas e que me tocaram de uma forma que não consigo descrever. Dei-me ao trabalho de quase transcrever o vídeo para que as recorde sempre... e, quiçá, fazer reflectir e tocar alguém, tal como aconteceu comigo.

Mais do que esperar por um amor que não sabemos quando chegará, é importante aprendermo-nos a amar e viver o agora. Porque o futuro é uma incógnita, e o agora é este, em que vivemos... 

Nunca gostei destas duas palavras...


M*

01.07.14

emigração

1. acto ou efeito de imigrar

2. saída voluntária do local onde se vive para se estabelecer noutro

3. conjunto de pessoas que emigram

 

imigração

1. acto ou efeito de imigrar

2. entrada de estrangeiros num país com o fim de nele se estabelecerem

 

Quem é que não conhece alguém que esteve ou está numa situação idêntica? Um familiar, um amigo, um conhecido?

Uns meses antes de terminar o curso, ainda antes de imaginar as voltas que a vida dava e quando se debatia sobre o futuro, a maioria dos meus amigos diziam que queria sair de Portugal. Porque aqui não à emprego, Porque este país não vale nada, Porque se eu conseguir ir para aquele país vou conseguir fazer coisas que cá nunca poderei, porque isto e aquilo e outros argumentos mais para se querer fazer parte da larga camada de jovens lá fora. 

Eu não. Argumentava que este país ainda tinha muito para dar e que só aceitaria a hipótese de abandonar o país quando começasse a perder completamente a esperança, quando começasse a enviar centenas de emails com o meu currículo e ninguém me respondesse. Porque vi partir uma amiga e, sempre que chega o último dia de férias, me parte a alma vê-la chorar e despedir-se da mãe e da irmã... Sobretudo porque, contrariamente à maioria dos meus amigos, eu sou filha e fruto da emigração dos anos 70.

Na época, como agora, muitos foram os portugueses que abandonam o país na esperança de, um dia, conseguirem um futuro melhor. No país que os acolheu, como tantos portugueses, com o pouco dinheiro que tinham conseguiram criar uma vida estável. Por entre lágrimas, dificuldades e amarguras, os meus pais conseguiram abrir o próprio negócio e colocar os dois filhos pequenos um dos melhores colégios privados da região à época. Durante muitos anos viveram bons e maus momentos no país que os acolheu. Porém, a crescente insegurança e violência no país que me viu nascer, obrigou-nos a medidas mais drásticas e, assim, privar-me de pai durante cerca de dois anos - tempo para resolver questões legais e burocráticas, entre outras coisas. 

Já em território português e embora ainda pequena, senti na pele o que era ser uma estrangeira: alvo de gozo dos colegas por não saber uma única palavra de português, colocada de parte pela professora por qualquer motivo que nunca entendi. Durante anos não me senti portuguesa e pedia insistentemente aos meus pais que regressassem ao país que me viu dar os primeiros passos. Queria saber como era viver nele, como era a sua história e as suas gentes porque cedo me foi negado conhecer. Pedi a todos os "santos e mais alguns" para que esse dia chegasse até, finalmente ganhar consciência de que esse dia dificilmente chegaria. Aceitei-me com sendo portuguesa, descobrindo o que mais me fascinava neste país... provavelmente, a riqueza histórica, o passado de vitórias e conquistas tão belas de um pequeno país. 

Provavelmente e contrariamente aos meus colegas que tanto mal falam de Portugal, tenho um orgulho imenso por este pequeno país à beira mar planto. E, sobretudo, eu não me quero ir embora. Não quero virar costas, mais uma vez, a um país que tanto amo e a matar saudades uma a duas vezes ao ano. 

Costumo dizer que os meus pais ficaram órfãos de Portugal quando foram obrigados a abandonar o país em busca de uma vida melhor. Sou filha da emigração e órfã do meu país porque nunca se vive em paz. Voltar a partir é ficar novamente órfã...

Por tudo isto e porque me soam terrivelmente mal, odeio as palavras emigração e imigração, porque nelas não me quero incluir, porque traduzem dor, lágrimas, sacrifícios, ausências... mas, sobretudo, porque parecem palavras cada vez mais próxima de mim. 

 

Quero mudar de cidade, não de país...

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